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Artista com doença rara é o primeiro humano no mundo a ter antena implantada no crânio para “ouvir” as cores

Neil, de Camden, em Londres, nasceu com acromatopsia, uma condição rara que faz com ele só enxergue cores em preto e branco. Entretanto, ele convenceu os cirurgiões a implantarem um chip dentro de seu crânio para que ele possa perceber as cores por meio de outros sentidos do seu corpo.

A antena ciborgue, também chamada de “Eyeborg”, é composta por uma câmera em uma extremidade e uma entrada de áudio na outra, e lhe permite receber o espectro visual captado por sua câmera através de vibrações ósseas. Um conector wi-fi dentro do chip lhe permite ouvir as imagens enviadas a partir de um telefone celular, sem sequer olhar para elas.

Cada cor tem uma vibração diferente, ou seja, pinturas, imagens ou até mesmo rostos têm uma nota ou som diferentes. Esta entrada de áudio foi usada uma vez do lado de fora de sua cabeça, mas agora ela foi implantado dentro de seu crânio, muito parecido com um implante coclear, e tem uma maior profundidade de percepção das cores.

Os novos conectores wi-Fi e Bluetooth no chip também significa que ele é a primeira pessoa no mundo a perceber uma imagem sem realmente vê-lo por si mesmo. Neil teve o implante inserido durante uma série de operações em Barcelona desde dezembro. Ele disse: “Este anúncio não é o lançamento de um novo produto e não é a apresentação de uma nova tecnologia: é a apresentação de uma nova parte do corpo que nos permitirá ampliar nossos sentidos de maneiras inimagináveis”.

O porta-voz do projeto Mariana Viada disse: "Ele agora pode não só perceber as cores que estão na frente dele, mas também perceber as cores que as outras pessoas estão olhando em seus telefones. Potencialmente, isso significa que ele também pode se comunicar entre crânios com outras pessoas que têm o implante, mas no momento ele é o único”.

Neil tem usado recentemente o sistema de cor-som para realizar o primeiro “coro de cor” do mundo. Para criar a música, Neil gravou as cores tiradas de uma imagem do Palau de la Musica, usando sua antena fixa. Estes tons foram aproveitados na criação de uma partitura musical. Neil ensinou os músicos as cores combinadas com as suas frequências, usando o Eyeborg. Quando a câmera do telefone registrava uma cor, o aplicativo gerava a frequência relevante por meio da captura de pixels da imagem. Cada membro tocava as notas baseadas apenas nas frequências das cores que viam nos tablets a frente deles, todas elas controladas por Neil.

Ele teve a idéia do “Eyeborg” quando ouviu uma palestra sobre cibernética, dada por Adam Montandon, em Dartington College of Arts, em 2003. Ele tentou encontrar os médicos que poderiam implantar o dispositivo em seu crânio e, no ano passado, convenceu um médico e um anaplastologista da Catalunha para executar as operações.

Falando em uma conferência em 2012, ele disse: "Para mim, o céu é sempre cinza, as flores são sempre cinza e televisão é preta e branca desde sempre. Entretanto, pela primeira vez, agora já com 29 anos, em vez de ver a cor eu posso ouvir a cor. No início é preciso memorizar nomes, cores e notas, mas depois de algum tempo todas essas informações se tornaram uma percepção e eu não tenho de pensar sobre nada disso. Esse instrumento tornou-se uma extensão dos meus sentidos”.

FONTE:

http://bit.ly/1zjrkhP

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