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Conheça o cara que receberá o primeiro transplante de cabeça do mundo

Em 22 de junho de 2013, Valery Spiridonov enviou o seguinte email ao médico italiano:

“Caro Doutor Sergio!

Sou um homem de 29 anos, deficiente, portador de atrofia muscular. Fiquei muito empolgado ao ler nos jornais à respeito de sua pesquisa sobre transplante de cabeças. Por favor, me diga – quais os recursos necessários para uma operação bem-sucedida? Posso ser útil para você? Estou pronto para participar de quaisquer experimentos que você precisar.

Abraços, Val.”

Com este email de 60 palavras, Spiridonov, um programador e artista gráfico russo, colocou-se em uma jornada para se tornar o paciente zero do primeiro experimento de transplante de cabeça do mundo, marcado para 2017 (apesar de que muitos do segmento médico duvidam que isso acontecerá). Spiridonov é portador do mal de Werdnig-Hoffman, uma espécie de atrofia muscular incurável. A maior parte das pessoas que tem esta condição não passa do 20 aniversário; ele sabe que lhe resta pouco tempo. Um transplante de cabeça, crê, é sua única chance de sobrevivência à longo prazo. O voluntário de 30 anos acredita que a cirurgia pode ser uma chance de prolongar sua vida. Ele ainda acredita que os benefícios que o procedimento irá gerar em pesquisas são valiosos.

“Tenho muito interesse em tecnologia e qualquer assunto progressivo que possa mudar a vida das pessoas para melhor”, disse Sporidonov em uma entrevista ao Russia Today. “Fazer isso é uma grande oportunidade para mim, mas também criará uma base científica para futuras gerações, independente de qual seja o resultado.”

O transplante deve ser realizado pelo médico italiano Sergio Canavero, diretor do grupo de neuromodulação avançada de Turim. Canavero anunciou o plano de realizar o primeiro transplante de cabeça em 2013.

A ideia é transplantar a cabeça de Spiridonov para um corpo que tenha sofrido morte cerebral.

A estimativa é que a cirurgia possa ser realizada em 2017. A operação é muito complexa. Ela deve durar cerca de 36 horas. Os custos estão estimados em 11 milhões de dólares e envolverá 150 médicos e enfermeiros.

Em resumo, é preciso resfriar o corpo do doador e a cabeça do destinatário, dissecar o tecido do pescoço, cortar e religar os vasos sanguíneos e fundir as medulas espinhais utilizando um produto químico que faz a gordura nas membranas celulares se conectarem. O paciente é mantido em coma por um tempo, depois da operação.
Mas será que é realmente possível fundir duas medulas espinhais e impedir que o corpo rejeite a nova cabeça? As últimas tentativas feitas em cães e macacos resultaram em animais que sobreviveram por alguns dias, apesar de um transplante de cabeça em ratos mais recente ter mostrado que o procedimento é basicamente possível. “Acho que estamos agora em um momento em que todos os aspectos técnicos são viáveis”, diz Canavero.

Depois do transplante, Sporidonov ficará em coma entre três e quatro semanas, para permanecer imóvel. Ele será medicado para que não haja qualquer forma de rejeição do corpo à cabeça.

Médicos e especialistas acreditam que o transplante de cabeça não é possível na prática, entre eles o presidente da Associação Americana de Neurocirurgiões, Dr. Hunt Batjer. “Eu não deixaria ninguém fazer isso comigo, existem muitas coisas piores do que a morte”, afirmou ele.

Arthur Caplan, da Universidade de Nova York (EUA), concorda com Bätjer. “Os corpos acabariam sendo sobrecarregados com muitos caminhos químicos diferentes do que estavam acostumados e ficariam loucos”, opinou. Além disso, a alta quantidade de remédios antirrejeição que a pessoa precisaria tomar poderiam envenenar seu corpo. Isso tudo para nem termos certeza de que o destinatário vai ganhar totalmente a função de seu novo corpo. “Não é como se você pudesse desparafusar uma cabeça e colocá-la em outra pessoa”, concluiu Caplan.

FONTE:

http://bit.ly/1IOtshe

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