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Técnica promete cura para doenças neurológicas

Debaixo de polêmicas, testes mostram que pacientes submetidos ao neurofeedback reduziram os sintomas do autismo, depressão, ansiedade e hiperatividade.

Nova york - Sente-se em uma cadeira, de frente para a tela de um computador, enquanto o médico coloca eletrodos em seu couro cabeludo, fixados por uma gosma viscosa que levará dias para sair do cabelo. Os fios presos aos sensores estão conectados a um computador programado para responder à atividade de seu cérebro.

Tente relaxar e se concentrar. Se o seu cérebro se comportar conforme o desejado, aparecerão sons suaves e efeitos visuais, como imagens da explosão de estrelas ou um campo de flores. Caso contrário, você obterá o silêncio, uma tela escura e flores murchas.

Isso é neurofeedback, uma espécie de biofeedback para o cérebro que, segundo os médicos, pode tratar uma série de doenças neurológicas – entre elas o transtorno de déficit de atenção por hiperatividade, a depressão, a ansiedade e o autismo – permitindo que os pacientes alterem suas ondas cerebrais por intermédio da prática e repetição.

O procedimento é polêmico, caro e demorado. Um período médio de tratamento, composto por pelo menos 30 sessões, pode custar US$ 3 mil ou mais e são poucos os planos de saúde que oferecem cobertura. Apesar disso, sua popularidade vem crescendo.

A diretora executiva da So¬cie¬¬dade Internacional de Neurofeed¬¬back e Pesquisa, Cynthia Kerson, faz parte de um grupo de apoio aos profissionais deste campo da medicina e estima que 7,5 mil profissionais de saúde mental nos Estados Unidos já oferecem o neurofeedback e que mais de 100 mil americanos experimentaram o tratamento na última década.

O tratamento também tem chamado a atenção de pesquisadores renomados, inclusive alguns que já foram céticos sobre o assunto. O Instituto de Saúde Mental dos Estados Unidos patrocinou recentemente sua primeira pesquisa de neurofeedback para o Transtorno de Déficit de Atenção por Hipe¬¬rati¬¬vidade (TDAH): um estudo de meta-análise com 36 indivíduos.

Em uma entrevista recente, Eugene Arnold, diretor do estudo e professor emérito de Psiquiatria na Universidade Estadual de Ohio, disse que já foi observada "uma boa melhora" no comportamento de muitas crianças, conforme relato de pais e professores.

Arnold afirmou que, se os resultados provarem que o neurofeedback faz a diferença, ele vai buscar financiamento para um estudo mais amplo, com cerca de 100 indivíduos.

John Kounios, professor de Psicologia da Universidade de Drexel, publicou um pequeno estudo em 2007, sugerindo que o tratamento acelera o processo cognitivo em idosos.

Negativas

O médico Russell Barkley, professor de Psiquiatria na Universidade de Medicina da Carolina do Sul e especialista em déficit de atenção, negou por muito tempo que o neurofeedback pudesse ajudar. Barkley diz que foi convencido a reconsiderar depois que cientistas holandeses publicaram uma análise de estudos internacionais, no qual foram encontradas reduções significativas na falta de atenção.

Outro especialista desaprova ainda mais o neurofeedback. William Pelham Junior, diretor do Centro para Crianças e Fa¬¬mílias da Universidade Interna¬¬cional da Flórida, considera o neurofeedback um “charlatanismo maluco”. Ele adverte que as alegações exageradas em favor deste tipo de tratamento podem levar os pais a favorecê-lo em detrimento de opções comprovadas, como a terapia comportamental e a medicação.

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