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Lutas Podem Acelerar Aparecimento do Alzheimer?

Aos 54 anos, o ex-boxeador Adilson Rodrigues, o Maguila, está internado no Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo desde a última quinta-feira para avaliação médica já que, segundo a família, os sintomas do mal de Alzheimer teriam se agravado. Síndrome que afeta mais de 1 milhão de pessoas no Brasil, o Alzheimer tem prevalência a partir dos 65 anos de idade, mas isso não quer dizer que não possa afetar pessoas mais jovens.

Maguila foi diagnosticado com a doença há 3 anos. De acordo com o neurologista do Hospital Albert Einstein e coordenador do Instituto da Memória da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ivan Okamoto, o caso do ex-boxeador deve estar associado à demência pugilista, que afeta atletas de boxe, MMA e outros esportes que provocam traumas no cérebro. Nos casos mais graves pode desencadear o Alzeimer e o mal de Parkinson.

“Os traumas durante as lutas, que nem sempre são leves, acabam provocando alterações no cérebro que aceleram as chances de aparecer os sintomas do Alzheimer”, afirma. Segundo ele, embora a prevalência seja a partir dos 65 anos, os sintomas podem aparecer muito antes, inclusive em pessoas com menos de 50 anos.

O especialista lembra que Aloysius Alzheimer – psiquiatra alemão que descreveu pela primeira vez a patologia degenerativa que depois ganhou o seu nome – analisou, no começo do século passado, o caso de uma mulher de apenas 52 anos que tinha a doença. “Embora seja menos frequente em pacientes mais jovens, não quer dizer que o Alzheimer seja uma patologia de idosos. Existem outros fatores que impulsionam o aparecimento”, explica Okamoto.

“Claro que precisamos levar em conta que um dos fatores de risco é a idade. A partir dos 65 anos, a cada cinco anos a prevalência dobra na população”, explica. Segundo ele, em um grupo de 100 pessoas com 90 anos ou mais, pelo menos metade tem a doença. Com o aumento na expectativa de vida, a tendência é que o número de casos aumente nas próximas décadas. “Hoje no Brasil a estimativa é que sejam 1 milhão de pessoas com Alzheimer. Em todo o mundo são em torno de 25 milhões”.

Diagnóstico e tratamento

O neurologista afirma que não existe um marcador biológico para a doença, ou seja, um único exame que o médico possa pedir para determinar com certeza a doença. Assim, é preciso fazer uma combinação de análises clínicas para se chegar ao diagnóstico do Alzheimer: avaliação do histórico de vida (se a pessoa já teve um trauma craniano, se já desmaiou, perdeu a consciência), exames (como tomografia e ressonância magnética, que excluem a possibilidade de outras patologias) e avaliação neuropsicológica (que constituiu em testes para traduzir as dificuldades cognitivas dos pacientes).

Segundo Ivan Okamoto, existem medicamentos que estabilizam a doença ou diminuem a velocidade de perda funcional, mas lembra que não há cura. “( O Alzheimer) é progressivo, o que a medicação faz é diminuir a velocidade das perda. É bem diferente do que tratar uma infecção urinaria, por exemplo, que se dá o remédio e volta ao estágio anterior. No Alzheimer, os remédios propõe a estabilização ou diminuição da rapidez de perda. Quanto mais precocemente detectar, mais funções você tem para serem preservadas”.

No caso de Maguila, a mulher do pugilista, Irani Pinheiro, disse em entrevista a jornalistas que o marido se recusa a ingerir os medicamentos, o que estaria agravando os sintomas. Ela disse ainda, que a mãe e uma tia de Maguila também já haviam sido diagnosticadas com a doença. De acordo com Okamoto, as causas do Alzheimer ainda são desconhecidos, embora já tenha sido verificado uma predisposição genética.

Sintomas

Os primeiros sinais da doença são a perda de memória e o comportamento alterado. Indivíduos com Alzheimer podem ter características depressivas, de agitação e de agressividade, ou até mesmo delírios e alucinações.

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